terça-feira, 12 de outubro de 2021

POEMA ÉPICO

Podemos dizer que o "ciclo" das epopeias já se encerrou: aquele poema antigo, longo, narrando a história de um povo, como Os Lusíadas, de Camões, modelo das epopeias de Homero, Odisseia e Ilíada, que parecem ter inaugurado tal forma de poesia narrativa. Dos poemas homéricos também saiu a Eneida, de Virgílio. A Divina Comédia, de Dante, é também considerado um poema épico, mas aqui com uma visão global do homem, não necessariamente histórica. Não há referências a epopeias modernas, podendo o termo, ocasionalmente, designar um vasto poema, onde se pretende contar a "história" do homem ou de alguns de seus feitos. Mas o poeta épico tem trânsito em todos os tempos, é o poeta que atingiu os grandes espaços, transcendência, , livrou-se daquela poesia pessoal, confessional, marcadamente lírica.

Clássico, medieval, simbolista ou romântico, todo poeta superior tende para o épico. Dispondo em partes o pensamento, diríamos que o poeta épico se caracteriza pela dilatação do "eu" ao infinito de suas possibilidades, a ponto de romper suas próprias barreiras e invadir o plano do "não-eu". Ele ultrapassa, desse modo, a contemplação exclusivista de sua imagem sempre refletida em espelho côncavo, postura característica do poeta lírico, e cria uma poesia a-confessional e a-emocional ou melhor, supra-confessional e supra-emocional. (Do Vocabulário Técnico de Literatura, de Assis Brasil)

Um poema épico é, via de regra, ficção. Não deixa de haver alguns traços de história. Uma epopeia é sempre uma grande viagem. Quem não gosta de viajar, certamente não gosta de epopeias.

LINGUAGEM

Os sons da fala Os sons de nossa fala resultam quase todos da ação de certos órgãos sobre a corrente de ar vinda dos pulmões. Para a sua pro...